Campinas, 13 de dezembro de 2022.
Liberdade, leveza, presença.
Liberdade de ser. Liberdade para existir.
Liberdades física, mental, espiritual, social.
É preciso lutar por um mundo livre.
Este não basta. Nunca bastou.
São tantas as opressões, violências, limitações, e para tudo há uma "justificativa". Esse mundo visto por essas lentes de meritocracia, de produtividade e de foco na performance e no consumo (inclusive de indivíduos) é injusto e excludente. Ele mata, corrói e consome toda a sociedade, mesmo que gradativamente, até o seu fim. Mas, muitas vezes, não vemos esse potencial destrutivo.
Pode ser mais fácil imaginar o fim da nossa própria existência do que o fim real desse modelo de sociedade. Tudo o que foge dele é considerado utópico e automaticamente invalidado.
Uma sociedade livre é mais leve para as pessoas. Nela, há a garantia de direitos básicos, que eram para ser de todes.
Com a leveza, chegamos à uma vida mais presente, com foco no que realmente importa, pois as preocupações cotidianas do capital não nos atravessariam tanto a ponto de esquecermos da nossa própria existência, da nossa própria vontade. A gente não se preocuparia tanto em ter o que comer ou ter onde morar, por exemplo, pois isso já seria algo garantido.
Torço e luto diariamente por uma sociedade mais livre, leve e presente.
Que possamos nos organizar e construir uma sociedade que respeite a nossa própria existência.
Por nós,
Bê
*Esta carta foi produzida em um evento do Centro Educacional "Santi Capriotti" (CEI) Campinas sobre capacitismo e saúde mental, realizado na biblioteca distrital de Sousas "Guilherme de Almeida".


